
Nossa preciosidades,e devemos ter o maior cuidado com elas... Habitualmente, as dúvidas referentes ao aprendizado da dança clássica vêm precedidas da palavra "quando": ..."Quando iniciar a criança nesta prática? - Mudar de nível? - Usar sapatilhas de pontas? Atingir a profissionalização?" As orientações variam, mas alguns esclarecimentos se fazem necessários. Inúmeras razões pesam na decisão de iniciar a criança no balé clássico: vontade da mãe, vocação precoce ou simples prazer de dançar. Independente dos motivos deve ficar claro que o balé clássico tem suas razões e normas fundamentadas na evolução histórica da dança. Em alguns aspectos, mantém a tradição e noutros, comporta-se como um sistema vivo. A dança é uma forma de expressão, obedece a critérios técnicos e pedagógicos, estimula o desenvolvimento da coordenação motora e o amadurecimento emocional. O aprendizado da dança é um processo lento, gradual e cumulativo. A aplicação dos seus critérios técnicos indispensáveis deve estar sincronizada com as condições biopsicológicas da criança também sob permanente transformação. Ela difere física e psicologicamente do adulto, e não é sua miniatura.
Do ponto de vista físico, o processo inflamatório a que a criança está sujeita decorrente de práticas físicas, na essência, é idêntico ao do adulto. Mas ela se recupera com mais rapidez. Do ponto de vista psicológico, a criança também difere do adulto. A dança e a prática desportiva têm participação decisiva na sua socialização, no respeito às regras, no empenho para obter resultados positivos ("sucessos"), no desenvolvimento de sua capacidade para assimilar frustrações ("fracassos"), para conviver com as diferenças e outros benefícios. Solicitações exageradas de competição, pressão e ansiedade por parte dos pais projetadas numa criança, quando os "sucessos" obtidos apresentam-se abaixo dos esperados, provocam desgaste e conflito emocional na criança. Ela transfere esse sentimento desconfortável para a vida:..."se não sou bom nisso, não sirvo para nada". "Sucesso" e "fracasso" devem ser compreendidos com relatividade. A presença de ambos em excesso pode levar a criança a rejeitar ou abandonar a prática física seja por aversão, saturação, apatia ou indiferença. Que isso fique bem entendido.
Observando estas orientações, o aprendizado da dança apresenta resultado eficiente quando a criança chega aos seis anos de idade. Nesta fase, ela adquire maior consciência corporal, distingue a parte direita da esquerda.
Na qualidade de professora, preparo crianças com três anos completos para o aprendizado do balé clássico. No início, elas passam por um processo de adaptação durante três anos. Nesta fase, são trabalhadas as práticas lúdicas, lateralidade, musicalidade, coordenação motora, socialização e o emocional,onde a aula de balé para as crianças dessa idade leva o nome de Baby Class. O objetivo é criar as condições para que os sistemas muscular e nervoso possam absorver a formação no balé clássico.
Dificuldades como inversão de letras apresentadas por crianças que começam a alfabetização são facilmente superadas quando, paralelamente, preparam-se para o balé. Também é freqüente as meninas entre 5 e 7 anos apresentarem lordose (curva acentuada na região lombar). A colocação da bacia conforme a técnica clássica, após anos de treinamento, reeduca a postura quando a criança atinge a faixa dos 13 aos 16 anos, via compensação da musculatura, trabalhando a noção correta do equilíbrio.
A formação clássica está estruturada em níveis, com duração de um ano cada,dependendo do método seguido. A depender do empenho, assiduidade, condições físicas e emocionais de cada criança, ela pode precisar em média de um ano em cada estágio. Pode ainda ser mais rápida no aprendizado de um determinado nível e muitíssimo lenta noutros. Portanto, ela não deve se sentir obrigada a cumpri-la nestes exatos oito anos. O aprendizado não é medido pela quantidade nem dinâmica dos passos, mas pela qualidade dos movimentos adaptada a um corpo bem preparado para dançá-los.
Objeto de desejo das meninas que estudam balé, o uso das sapatilhas de pontas deve ser recomendado sob rigorosos critérios. A aluna deve apresentar uma musculatura bastante trabalhada, resistente e alongada, flexibilidade e estrutura óssea desenvolvida, geralmente atingida entre 10 e 12 anos de idade, após quatro anos consecutivos de estudos, a contar da conclusão da fase de adaptação. Fora destas condições, o trabalho com sapatilhas de pontas pode calcificar prematuramente os ossos e comprometer o ritmo de crescimento da criança, além de causar outros problemas como artroses, vulnerabilidade a entorses, etc.
Passados os oito anos, não necessariamente estará pronto o (a) bailarino(a). O ponto de partida da profissionalização é alcançado quando um bailarino, além de atleta, é um artista. O bailarino é aquele que está preparado para organizar a técnica e os sentimentos de tal forma que, ao exprimir-se, faz o espectador acreditar que a emoção pertence ao corpo e o movimento, à alma. Como não é possível o público de corpo subir ao palco, reunindo talento e técnica, o bailarino tem a missão de conquistar seu coração e levá-lo para dentro de sua dança, através da emoção.
Portanto professores,vamos ficar atentos as nossas crianças.Beijos
Oi Tati, seu blog está maravilhoso, aliás, como tudo que você faz.
ResponderExcluirA Estela e eu estamos com saudades de você.
Pena que ela não pode mais fazer aula com você devido a mudança de bairro. Ela estava muito feliz com suas aulas e está sentindo muita falta de você.
Esperamos revê-la em breve, e mais uma vez parabéns pelo lindo trabalho.
Um grande beijo e até logo!